Era ele ali, bem grande, bem viscoso, bem cheiroso, na minha pele.
S-E-D-U-T-O-R.
Quis subir no salto, pisar na cara, dar gargalhadas e debochar, mas me senti vazia e ao mesmo tempo repleta de uma ansiedade louca para me fazer tremer.
O Ego é assim. Muitas vezes uma delícia, quando se realiza, mas também um carrasco quando está reprimido.
A pedra no sapato do autodesenvolvimento como ser humano, porque ele sempre nos faz voltar atrás e pensar numa maneira de comer o prato frio pelas beiradas...
Eu não tenho vergonha alguma de assumir que eu já quis beliscar alguém. Que eu já desejei o mal do outro e de ter xingado o motorista que me fechou no trânsito.
Eu pelo menos tenho consciência disso.
Tem gente que nem tem, vive do ego.
E o pior de tudo, acha que Deus é o fator X da limpeza de sua alma, e vai lá conversar com Ele para pedir opinião de vida e sustento nos desejos.
Eu, prefiro admitir e insistir que eu vivo esse lado material de forma mais equilibrada com o meu Eu. Afinal de contas eu tenho que ser a primeira pessoa a acreditar em mim.
Mas eu tenho Ego sim.
Adoro comprar vestidos, me sentir a mais gostosa, o último biscoito.
Detesto ficar deprimida quando a calça da moda não fecha em mim... Ou então que aquele decote não é mais o mesmo.
Adoro ver canal de fofocas, me imaginar uma das personagens do Sex And The City... Ter um mordomo para me servir Pró-seco...
Xingo no trânsito.
Mas o mais importante disso tudo é entender o limite entre todas essas emoções e percepções, até onde se pode deixar o Ego ir sem ferir o outro, e principalmente sem ferir a si mesmo.
Nós somos dotados de livre arbítrio, portanto, podemos nos permitir sentir coisas boas e ruins, mas é preciso ponderar para que a parte negativa não se torne parte definitiva de nossas vidas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário